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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Cristalino





Acorda pro Universo. Se ascenda. Se expanda.
Ganha tua liberdade na raça. Não perde a graça.
Impele teu ímpeto na impotência. Na importância.
Rainha da sua própria paz, porém, sem acalanto.
Lembra do teu caminho, teu presente e passado.
Nessa crise que te criva de cravos, te comanda.
Anima teu corpo, espirito e tua alma, se abraça.
Mostra que é capaz e direciona toda essa ganância.
Envolvendo-se de sorriso, que bem seria seu manto.
Despida de vãos juramentos, de jugo e de julgado.

Ignorou as frustrações. Aprendeu ouvindo seus guias.
Na justiça do nobre Sangô, vis traições caíram por terra.
Ganhou a si mesma. Escoltando-a Obá nessa guerra.
Raízes negras a envolveram. Mãe África buscou sua filha.
Ilê se tornou sua casa. A loba, enfim, encontrou sua matilha.
De Ossum, percebeu sua beleza. Com Oyá, refez a sintonia.

Candomblé. Quimbanda. Origem. Segredo. Sagrada.
Resistência que salva vidas. Vidas que merecem salvas.
Instaura-se... Restaura-se... Instala-se... Cristaliza-se!
Semblante de menina bela, quão riso na alma me traz.
Tem tempo que observo, e absorvo o que traz o destino.
Apesar da distância, solidão em solitude foi transformada.
Lamento apenas não estar ao seu lado, mas bato palmas.
Inspirado pelo desejo de que nossa vontade realize-se.
Não te olvides, pela beleza de Yng, não te esqueças jamais!
Ora, pois mais do que claro, tudo isso em ti já é Cristalino.


Gui Euripedes

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Na pele em que habito




Na pele em que habito 
Sou mensagem, por cortesia
Sou forte quando notado 
Quando lembrado, sabedoria 

Sou letra, sou citação 
De prazeres ou de agonia 
Sou música, libertação 
E as vezes sou sinfonia 

Na pele em que habito 
Sou quente e também sou fria 
Sou lembrança de aprendizado 
Sou poder, sou simbologia 

Cartão de visita pro preconceito
Sou entalhado com maestria 
Fui arte pra quem enxergava
E pecado pra quem não via 

Na pele em que habito
Sou real, sou mitologia 
Sou retrato da natureza 
Seja de noite, seja dia 

Sou mil palavras, me leia 
Na dúvida, posso ser guia 
Talvez seja incompreensível 
Pra quem ainda não conhecia 

Na pele em que habito 
Sou um convite à fantasia 
Um portfólio de sedução 
A quem me toma por ousadia 

Sou aquilo que ser mais quer 
E às vezes o que não queria 
Sou o caos que o mestre é 
Sou equilíbrio. Sou harmonia 

Na pele em que habito 
Sou uma espécie de magia 
Curo, protejo e demarco 
Como um sinete de bruxaria 

Habito na pele que me aceita 
Habito na mente de quem me cria 
Habito na ideia, na realidade 
E agora habito na poesia.

Gui Euripedes

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A quem ser fiel?



Ser fiel deveria ser simples, natural
Somente respeitar o contrato assinado
Entender as entrelinhas no tratado
Assinado com sangue, suor e moral

Ou deveria ser complicado, penoso
Correntes de aço que apertam forte
Recluso numa cela, entregue a sorte
Entre as opções sem culpa, doloso

Fiel ao mundo. Ser fiel ao sentimento
Fidelidade sim, mesmo que doa n'alma
Ser fiel a si, pra recuperar a calma

Fidelidade, que pode ser um lamento
Um teste de caráter, ser juiz ou réu
Enquanto há a dúvida, "a quem ser fiel"?



Guilherme Euripedes

terça-feira, 28 de abril de 2015

Os Sabores da Vida













Este poema é sobre a vida, que ora é doce
Como o leite materno que o infante bebe.
Quem vos dera eterna essa paz fosse!
Mas o tempo corre, e ele não percebe.

Há quem veja glória quando se é juvenil
Quão insensato cresce este ser imberbe!
Que imagina um futuro de vitórias mil
Mas degusta do amargo fel sendo plebe.

Quando maduro, diariamente na labuta
Ruge aos deuses: esta vida não é justa!
E se não esfria, seu humor torna azedo

O corpo apodrece. A memória traz mágoas
Coração permanece, mas afogado em águas
Que caem salgadas dos olhos com medo.



Guilherme Euripedes

segunda-feira, 24 de março de 2014

Segredos




Ninguém sabe disso, mas você tem um sorriso secreto.
E você o usa só para mim.
Então sorria. Não o esconda. Pois sua felicidade me salva da tristeza.

Ninguém sabe disso, mas você tem um olhar secreto.
E você o usa só para mim.
Então me encare. Não desvie. Pois seu olhar é minha luz na incerteza.

Ninguém sabe disso, mas você tem um abraço secreto.
E você o usa só para mim.
Então me abrace. Me enlace. Pois quando se afasta eu me afogo em saudade.

Ninguém sabe disso, mas você tem um beijo secreto.
E você o usa só para mim.
Então me beije. Me deseje. Pois esse momento é um vislumbre de eternidade.

Mas ninguém sabe... E que ninguém saiba...


Guilherme Euripedes

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O Beijo Vampírico







Se for para morrer, que seja pelas frias mãos tuas,
Encharcadas pelo sangue dos inocentes das ruas,
Cobertas de ódio, a luva das pálidas mãos nuas,
Ávidas pelo calor das minhas veias, tão suas.

Se for para morrer, que seja com um beijo voraz,
Que não me arrebate, pois não quero minha paz,
Que me tire o futuro, que me torne mais capaz,
De olhar o passado sem me arrepender jamais.

Se for para morrer, que seja tenso e inesperado,
Que me pegue de surpresa e me deixe assustado,
E que eu olhe nos olhos do algoz amaldiçoado.

Se for para morrer, que seja pela mão amada,
Que traia toda e qualquer palavra juramentada,
Pois então renascerei pela vingança esperada.


Guilherme Eurípedes

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Outro Lado das Saudades





Desnecessários são os fúteis abraços de solenidades.
Desejo a nós a paixão, eterna escrava deste momento.
Acompanha-me nesta dança de volúpia e obscenidades.
Partilhe do meu suor e do meu corpo como alimento.

Observa seu homem te mandando com a voz potente.
Aproxima-te do meu corpo, pois lhe quero com avidez.
Despir-te-ei com vontade antevendo a cena na mente.
De teus bicos rijos e rosados que beijarei sem rapidez.

Amo tua pele. Tua boca. Teus seios firmes. Sem pudor.
Te quero em sua totalidade. Sem medo e sem receio.
Inebriar-me em teu cheiro. Deliciar-me em teu sabor.
Beijar os teus lábios rosados e excitados em teu meio.

Quero ouvir tua voz leve entre sussurros e chamados.
Jogar-te na cama e mostrar-lhe o que almejo de fato.
Te pegar com força, seja de costas, frente e pelos lados.
E assistir sua expressão de prazer ao consumar o ato.

E depois de tudo. Não mais serei inimigo das Saudades.


Guilherme Euripedes

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Na Calada da Noite...



Na Calada da Noite...
É quando os espíritos vagam, livres do pecado original.
Banhados em fúria, mágoas e um ódio descomunal.
Dilaceram e rasgam a consciência da humanidade.
Numa cadeia sem fim, transformam alvos em iniquidade.

Na Calada da Noite...
Os sussurros da morte clamam alto por vingança.
Nos falsos abrigos de seus lares, rezam por esperança.
Buscam heróis em deuses passivos e conscientes.
Que ignoram as vidas fúteis desses seres sencientes.

Na Calada da Noite...
Faço da morte a minha arte, uma poesia pecaminosa.
Não esperem misericórdia. Não tenho uma alma bondosa.
E por minha vendeta nem mesmo tenho uma alma.
Não preciso dela. Que Lúcifer a devore com calma.

Na Calada da Noite...
Desperto coma lua, vingativo, me sinto realmente vivo.
Espalho a dor com descaso. Na tortura eu encontro alívio.
Faço da vida um poema de intensidade com maldição.
Pago o mal com a maldade colhida fundo em meu coração.

Nas noites mais escuras. Sou eu ainda mais escuro.
The DarKesT.




Guilherme Euripedes
Retirado do livro "Vingado Sete Vezes" - Autoria própria.



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Apaixonante Universo



Nasci neste mundo como quem queria assaz
Conhecer a vida, o Universo e tudo mais.
De todas os sentimentos eu tentei correr atrás,
Mas quem persegui me fugiu de forma fugaz.

Procurei em religiões, busquei meus ancestrais.
Olhei para o céu, esperando os celestiais
E depois para baixo, curioso pelos infernais.
E vi em suas essências que ambos são iguais.

Aprendi que deveria observar mais os sinais,
As pessoas, as criações e também os animais.
Com os amigos e amores ser dos mais leais.
E ensinar todos a não temer os funerais.

Abracei os livros e eles me abraçaram, mas
Faltava-me algo, que hoje aqui estás.
Porém antes não via, o que me tirava a paz.
E então percebi de tudo o que sou capaz.

O Universo conspira àquele que aqui não jaz.
Apaixonados pela vida e pelo o que ela nos traz.
Portanto buscai seu prazer e o encontrarás
Fazendo seu caminho sem se arrepender jamais.

Guilherme Euripedes

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Lua Sangrenta




Sem mais esperanças para a vil humanidade
Olhos vermelhos observam em meio a meia escuridão
No céu nublado seu cortejo fúnebre a segue
Formando sinais quais ler, o homem não consegue
A melancolia saudosa e o desejo de destruição.

Não adianta chorar ante a nova praga
As únicas lágrimas virão do vasto céu
Gotas vivas de sangue e carne amaldiçoada
Mensageiros selênicos da morte desgraçada
Tristes foices afiadas. Ceifadores num corcel.

Não há que vos salve. Insuportável pena
Sofrem os carrascos, julgam-se os inquisidores
A oração é atendida pelos servos da escarlate
Agradecidos somos pela foice que o pescoço abate
A dor é o ingresso para o circo dos horrores.

Vinga, julga e pune, oh Bela Luna
As almas sujas, sem honra e sem porte
Hipnotiza com olhares e após, devore
Enlouqueça suas mentes, vos apavore
E nos sobreviventes escolha teu consorte.

Se o homem precisa tanto de uma Lua no escuro
Já deveria ter imaginado o seu lado obscuro.

Guilherme Euripedes

terça-feira, 5 de junho de 2012

Noctifer



Observador do Firmamento.
A luz da lua logo em mim padece.
Estrela D'Alva, Resplandescente.
Trago-te o dia, o sol que te aquece.
Sou o precursor da aurora celeste.

Tinúviel, o Matutino.
Sou a Estrela Guia na escuridão
Esperança aos desabrigados,
Desiludidos sem luz na visão.
Sou Ishtar. Deus de uma nação.

Muitos nomes me definem.
Por muitas alcunhas sou chamado.
Pra àqueles que me acompanham,
Sou Lúcifer encarnado.
Portador da Luz e Iluminado.

Estrela, Planeta e Deus.
No crepúsculo eu reapareço.
Contemple a Estrela Errante.
Trago a noite como meu preço,
E aos noturnos, o meu apreço.

Undómiel, o Vesper.
Que a escuridão faz despertar.
Único dentre os astros.
O Héspero a caminhar.
Minha trilha é sobre o luar.

Noctifer, a Estrela da Noite.
Muitos me olham como Soturno.
Assim mesmo venho dar a Luz,
Para este vivente taciturno.
Oculto neste véu noturno.



Sempre presente na Eternidade,
Eu me completo a cada dia.
Mais do que viver em ciclos,
Eu me espiralo na Magna Via.
Num Ouroboros de Sabedoria.

Guilherme Euripedes

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Minha Desejada




E eu, teu mestre, dominarei.
Serei teu pensamento e seu desejo.
Marcarei teu corpo com mãos fortes,
E sentirei seu desejo entrando em minha mente,
Em formato de gestos, gemidos e odores.

E no calor dessa noite,
Será escrava do meu amor.
Na pureza desse amor,
Será escrava do meu desejo.
E eu, dono do seu corpo.

Me inspiro em teu sorriso,
Sua face exprime a felicidade,
O gozo, o delírio, o prazer.
Meus músculos se contraem
Me hipnotiza o tesão por você.

Com minhas mãos em seus cabelos,
Trato-te como desejas.
Minha e somente minha!
Faça como eu quiser
E terá o que sempre quis.

Adentrando-te com força
Faço me de escravo.
Suas unhas me arranham,
Demarcam meu corpo,
Seu território.

Ordeno-te em silêncio.
Me aperte, me beije, me sinta.
Com meu corpo pesando no seu
Observa seu pagamento.
O paraíso somos nós.

E neste ato supremo
Mais uma vez você é minha,
Minha Desejada.

Guilherme Euripedes

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Carpe Vita


Vida após vida tudo evolui e se transforma.
Busque o que gosta e seu destino toma forma.
Se engana ao pensar que o futuro te solta a mão.
A verdadeira alegria está em seguir o seu coração.

Vida a vida, algo fica e muito muda .
Passo a passo, siga em frente. Não se iluda.
Amigos de momento te alegram e um dia esvanecem.
Aqueles de verdade sofrem contigo e permanecem.

Vida, breve vida. Seja rápida. Mantenha calma.
Cuida a sua volta, mas não esqueça da tua alma.
Borboletas roxas, sua mente e seu coração.
O Amor primevo, nunca será uma ilusão.

Guilherme Euripedes

terça-feira, 15 de maio de 2012

Sorria!



Ahh… Nada como sorrir!


Adoro causar a dor e a agonia.
Com olhos nos olhos eu faço sumir,
Toda esperança e alegria.
E com minha lâmina eu posso rir!

Diga-me mestre! Posso matar?!
Somente sua alma! É o que ele dirá.
Portanto penas, corda ou bastão.
Minha Arte é a Tortura!
Da faca ao canhão!

Te pego. Te arrasto. Te faço chorar.
Rindo e gritando! Eu AMO Matar!
Me chamam de louca, de doida e doente.
Mas meu nome real pra mim é um mistério.

Eu sou a Arlequina! Porque está tão sério?

Guilherme Euripedes

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Branco da Paz











Somente esta hora entendo o não gostar
Velar-te nunca fez parte dos planos meus
Nem fogo, febre, nem agasalhos.
Sob o céu que chora gelado, impera o frio.
No corpo inerte, meu coração se repartiu.

Madrugada do mais branco luar,
Estrelas, em vão, consolam com pêsames.
Cai junto o choro que me toca alma
Com gotas geladas da mais pura calma
Enquanto meu grito se perde em poderes.

Sua agonia hoje me faz falta
Enquanto houver dor a vida aqui estará
A paz é quem me caça, como lebre e carcará
Sou vítima da escolha, ilusão da oração
Supliquei cura e me veio maldita colheita

Agora entendo porque odeio o frio
Lembra-me a neve, o terror do vazio
Flocos puros de branca paz que acompanha a morte
Curandeira das enfermidades, dores e chagas
Na neve reflete a luz, fim da sua e minha estrada.

Guilherme Euripedes

terça-feira, 3 de abril de 2012

A Música e o Prazer




Um simples acorde tocar. Simples olhares trocar.
Nada é por acaso. Nenhum som. Nenhum passo.
A melodia lenta vai surgindo. A tensão aumentando.
Cada nota em meu ouvido é meu coração acelerando.

Aumento o compasso e logo faço contato.
Como voz de veludo eu ouço e sinto seu tato.
Acompanho seu ritmo e te laço em meu braço.
A Harmonia dos corpos começa em um abraço.

Música na mente. Cada desejo merece um arpejo.
E com a classe erudita te dispo em aleggro.
A cada aperto em teu corpo te sinto destoante.
Danço conforme cantas com suspiros ressonantes.

Nossa dinâmica sobe e eu desço com meus beijos.
Do agudo ao grave. Seus gemidos cantam desejos.
Agora em cima de você sigo um ritmo constante.
Em meio a contratempos. Num acorde. Num instante.

E o fechamento termina com intensidade.
Você e eu. Um dueto pra eternidade.

Uma nota soa no ar. O show tem de continuar.
Seu olhar deseja me ter. Na Música e no Prazer.

Guilherme Euripedes